1. Perguntas e respostas

1. A cidade de São Paulo se depara com grande necessidade de valorização do seu patrimônio histórico e requalificação dos espaços públicos. Tendo em vistas as diversas possibilidades, por que iniciar pelo Vale do Anhangabaú?

O Vale do Anhangabaú é um espaço simbólico para a cidade, e um eixo de articulação entre o Centro Velho e o Novo. Deste modo, é importante que seja o principal agente desta requalificação. O projeto do Vale do Anhangabaú é parte integrante de um sistema de renovação dos espaços pedestrianizados em conjunto com a renovação dos Calçadões e com os espaços de estar e lazer do programa Centro Aberto.

2. Quais os recursos a serem empregados na implementação da proposta?

O processo participativo de construção destas transformações estimou quais seriam as estratégias e os investimentos máximos a serem aplicados nos 55.000 m2 de área do Vale. Com o desenvolvimento do programa e do projeto básico, a previsão de alocação de recursos é de cerca de R$ 100 milhões.

  1. 3. Qual o critério para o desenvolvimento deste programa? Como foi a participação da sociedade nesta etapa?

    O projeto conceitual para o Vale do Anhangabaú foi construído a partir de um programa desenvolvido, com a contribuição de diversas pessoas, técnicos municipais, profissionais da sociedade civil em oficinas realizadas durante o ano de 2013. As estratégias do projeto foram debatidas por diversos segmentos da sociedade, inclusive apresentadas durante o processo de contribuição pública. A proposta conta com aprovações de diretrizes na Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, Condephatt e Conpresp. Também foi apresentado na Câmara Municipal e em diversas reuniões setoriais com associações locais, universidades e fóruns profissionais. Foi pauta da mídia especializada e da grande mídia durante este processo.

    A proposta traz um espaço democrático, acolhendo diversas atividades que poderão se desenvolver ao mesmo tempo. A vida cotidiana, em seu amplo espectro social e cultural é resgatada e valorizada para quem já se utiliza do Vale, ou mesmo para aqueles que poderão conviver neste espaço.

  2. 4. Se mais pessoas poderão fazer uso do espaço, quais as atividades e intervenções propostas?

    Olhar para as pessoas foi o principal motivador da proposta do projeto. Foram observadas as rotas de desejo dos pedestres que principalmente os conduzem às estações e terminais de ônibus e metrô.

    As atividades foram pensadas em duas escalas, a escala cotidiana e a escala de eventos especiais.A escala humana é respeitada a partir do resgate da escala das ruas Anhangabaú e Formosa, criada por uma massa arbórea e configurada por uma segunda fachada ativa com serviços de sanitários públicos, bancas de jornal, cafés, floriculturas e bagageiro, entre outros, uma série de bancos e cadeiras que dão suporte à permanência das pessoas no espaço. Uma pista de esportes de rua também foi proposta, assim como a implantação de parquinho e elementos lúdicos para as crianças brincarem.

    A escala mais monumental da área da esplanada foi tratada de forma a permitir ações mais variadas, com adequação da dimensão dependendo do tipo de atividades proposta.

    Trata-se de um espaço mais acolhedor e democrático.

  3. 5. O projeto apresenta banheiros públicos e bagageiros. Como estes funcionarão? Todas as pessoas terão acesso?

    Importantes cidades no mundo oferecem essa possibilidade aos cidadãos. Apesar de possuir um custo, o serviço oferecerá segurança e higiene a todos os usuários. Para a população em situação de rua, haverá atendimento e encaminhamento realizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social – SMADS, disponibilizando tickets para a utilização do serviço. Além dos sanitários, o Vale do Anhangabaú contará com bagageiros. Estes servirão para guarda de pertences pessoais e/ou mochilas e possíveis compras que os usuários queiram guardar temporariamente, enquanto passeiam pela região. Haverá ainda um posto de encaminhamento da SMADS para atendimento à população.

  4. 6. Como será o projeto de paisagismo e quais os benefícios dessa proposta?

    O projeto contempla a consolidação da cobertura vegetal e áreas sombreadas. O Vale contará, em sua forma final, com 480 árvores, sendo que 355 serão mantidas entre as existentes e 125 novas espécies plantadas. A proposta paisagística reorganiza e resgata a característica original da esplanada central, indicando menor escala em suas laterais, Ruas Anhangabaú e Formosa. É privilegiado o plantio nas áreas do vale em locais que não foram comprometidas pela laje do túnel, aumentando de maneira efetiva a permeabilidade existente. O manejo arbóreo foi aprovado pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, órgão competente que elaborou Termo de Compensação Ambiental – TCA, onde o projeto supera o número de mudas exigidas.

  5. 7. Como funcionará a introdução da água em meio a crise hídrica atual?

    Toda a estrutura funciona com um circuito fechado e toda a água aspergida, que apenas molha o chão, é recolhida pelos ralos que o equipamento possui, enviada a filtros de limpeza para tratamento, retorna ao aspersor e novamente é lançada ao piso do Vale, permitindo inclusive, o contato humano. Este circuito conta também com a construção de um poço profundo para complementação do sistema de águas, que pouco perde ou se dissipa com a umidificação e melhoria do clima da região. Parte da água recolhida é também utilizada na irrigação das áreas verdes. A memória do Rio Anhangabaú, totalmente canalizado, é resgatada e traz consigo características cênicas e lúdicas, tornando o local acolhedor e aprazível.

  6. 8. Importantes conexões são realizadas pelos pedestres que atravessam o Vale. Qual a proposta para o Eixo da Avenida São João?

    A atual Av. São João foi a primeira ligação histórica entre o Centro Velho e o Centro Novo, através da antiga Ponte do Acu. Na atual conformação do Vale, esta circulação foi interrompida. A interrupção é resultado de uma alteração no projeto do sistema de acesso viário ao túnel do Anhangabaú e se configura como um obstáculo aos pedestres, principalmente nos casos de mobilidade reduzida. A proposta em debate recupera integralmente o eixo, dotando todo o espaço de pavimento adequado aos critérios da acessibilidade universal. Quanto às rotas de desejo do pedestre, estas se manterão permanentemente secas, favorecendo e facilitando as conexões que hoje são interrompidas por diversos elementos.

  7. 9. Assistimos quase que diariamente, constantes intervenções no piso do Vale por conta da enorme rede subterrânea existente que alimenta as diversas atividades que se concentram no entorno. Qual a estratégia para estas ações destrutivas?

    O projeto enfrenta a dificuldade técnica posta para o enterramento da rede de energia e telecomunicações, mapeando as redes existentes e sua atual demanda. Realizando o ordenamento destas em novas galerias técnicas e bancos de dutos, a proposta de iniciativa do município com adesão irrestrita das concessionárias, servirá de modelo para redefinição de todas as redes do Calçadão. Esta intervenção permitirá que o Vale assuma um papel de protagonista no desenvolvimento tecnológico da cidade, possibilitando a implantação de qualquer tipo de empresa que demande alta tecnologia com confiabilidade do sistema.

  8. 10. E como será a gestão de todas as propostas apresentadas? Sem uma gestão presente não se poderá garantir o bom funcionamento de todas estas inovações!

    Este é um ponto fundamental elaborado nesta proposta. A instalação de um processo de gestão do espaço e de curadoria das atividades para o Vale, justamente no intuito de fomentar atividades culturais, comerciais e de lazer na região, complementadas por ações sociais de apoio a toda a população. A proposta de renovação do Vale alavanca não somente a discussão das formas de uso e da recuperação das estruturas ambientais do espaço público, mas sim incrementa e renova a infraestrutura do Centro.

    Os temas abordados no projeto se remetem aos desejos pretendidos e identificados durante a elaboração do programa, inclusive resolvendo as preocupações apontadas pelo debate público e por especialistas. O processo de gestão se torna, portanto, uma ação que extrapola os perímetros do Vale e se configura como estruturante para as demais áreas da cidade.

  9. 11. Este projeto está finalizado?

    A discussão que está na agenda municipal não é sobre a forma, a estrutura física existente ou proposta para o Vale. O que se discute neste momento, é a apresentação dos resultados do desenvolvimento e o debate sobre as estratégias de execução da transformação da forma como lidamos com os espaços públicos em nossa cidade, de forma devolutiva a todos os participantes e à população. Temos na gestão do espaço a peça chave para o sucesso da implementação da proposta. A construção conjunta desse novo modelo criará referência e possibilidade de transformação para outras áreas simbólicas e estruturantes das diversas regiões da cidade.

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