07/02/2020

Em 2019, 41% das visitas ao Edifício Martinelli foram feitas por pessoas que não moram na cidade

Terraço foi reaberto em abril do ano passado. Os moradores da cidade são os que mais visitam a cobertura, representando 52,9% do total de visitantes. Em seguida aparece o turista nacional (40,8%), e por fim, o turista internacional (6,3%)



Entre abril e dezembro do ano passado, o terraço do Edifício Martinelli recebeu, de forma totalmente gratuita, a visita de 27.453 pessoas. Do total de vagas disponíveis no período, quase 91% foram ocupadas diariamente. Os moradores da cidade são os que mais visitam a cobertura, representando 52,9% do total de visitantes. Em seguida aparece o turista nacional (40,8%), e por fim, o turista internacional (6,3%).

Apesar de boa parte dos turistas nacionais morarem no estado de São Paulo, outros estados também se destacaram. O principal deles foi o Rio de Janeiro, seguido por Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Morador de Brasília, Libório Chaves da Cunha, 50, dedicou um tempo para conhecer, junto com a família, o terraço do Martinelli. Ele soube da visitação através de uma rede social de uma amiga, o que despertou seu interesse em entender a história do prédio.

“A experiência é muita enriquecedora. Conhecer essa construção, que foi um desafio para um imigrante italiano, é fantástico. Recomendo que todos venham”, afirmou Librório.

Libório veio de Brasilia com a família para São Paulo e visitou o terraço do Martinelli

Na cidade de São Paulo, as regiões sul e leste são aquelas que mais atraem pessoas à visitação. É o caso de Elivelton Cabelague, 29, morador de São Miguel Paulista, zona leste do município.

“Vim aqui para conhecer um pouco sobre a história do Martinelli. Fiquei impressionado com a altura, nunca tinha visitado um prédio tão alto assim”, comentou Elivelton.

Morador da zona leste, Elivelton ficou impressionado com a altura do prédio

Aproximadamente 55% das pessoas que visitam o terraço são mulheres. Nascida na Bahia, a senhora Irani Santos mora há mais de 40 anos em São Paulo. Acompanhada do marido Osvaldo Santos, resolveu fazer algo inédito.

“São Paulo já é a minha cidade do coração. Apesar de tantos anos que moro aqui, eu não sabia que existia essa visitação. Estou adorando! São Paulo é muito bonita vista do alto”, destacou Irani.

A baiana Iraci realizou a visita inédita junto com o marido

Os dados anuais da visitação demonstram ainda que a maior parte dos visitantes possui entre 18 e 24 anos e 30 a 39 anos. Sobre o mês mais visitado, julho – mês de férias escolares – foi destaque, com mais de 3.556 pessoas, seguido, respectivamente, por maio, abril e junho – todos com taxa de ocupação acima de 94%.

Pensando na reativação do Centro Histórico da cidade, que envolve diversas ações por meio do programa Triângulo SP, a Prefeitura de São Paulo decidiu reabrir para visitação o Edifício Martinelli. Após mais de dois anos fechado, o mirante do Edifício Martinelli recebeu melhorias de segurança e a instalação de luminárias – ações da Secretaria Municipal de Turismo, em parceria com a SP Urbanismo – sendo reaberto em abril de 2019. Com bastante interesse da população – refletido nas quase mil visitas logo no primeiro mês –, a Prefeitura resolveu ampliar em maio os horários de visitação, oferecendo nove opções todos os dias, inclusive aos finais de semana e feriados.

Por falar em horários, o interesse pela visitação se mostrou mais elevado entre 12h e 18h30, especialmente às 16h30, que foi quase sempre ocupado durante todo o ano.

Os interessados em conhecer o terraço do edifício que já foi o maior arranha-céu de São Paulo devem reservar o seu ingresso pelo site e chegar com ao menos 30 minutos de antecedência na Avenida São João, 35. O tour dura entre 40 e 45 minutos.

O Edifício Martinelli também promove visitas educativas, atendendo, também gratuitamente, grupos de escolas e universidades privadas e publicas, cursos técnicos, projetos sociais e organizações não governamentais. Em 2019, o condomínio recebeu alunos de 33 escolas do Ensino Fundamental e 16 universidades, além de 13 grupos da terceira idade. Saiba aqui como agendar uma visita pedagógica.

Além do interesse histórico e turístico, o Edifício também é foco de interesse de produtores para realização de eventos diversos, como festas, filmagens, fotos e comerciais. Em 2019 foram realizadas 18 locações do espaço para essas atividades.

A cobertura do Edifício Martinelli permite uma visão panorâmica da cidade de São Paulo em 360°. O espaço possibilita uma impactante visão da região central, com vistas para Catedral e Praça da Sé, Pátio do Colégio, Largo e Mosteiro de São Bento, Vale do Anhangabaú, Teatro Municipal, Edifício dos Correios, viadutos do Chá e Santa Ifigênia, Edifício Matarazzo (Sede da Prefeitura de São Paulo), eixos das avenidas São João e Prestes Maia e o Parque D. Pedro II. Ainda é possível visualizar, em escala metropolitana, o espigão da Avenida Paulista, a Serra da Cantareira e as regiões do Brás e da Mooca.

 

Com a implantação do Observatório Martinelli, expectativa da Prefeitura é receber 160 mil visitas anualmente

Para consolidar o local como destino turístico e contribuir para a geração de movimento de pessoas no entorno do prédio e na região do triângulo histórico, sobretudo, à noite e aos finais de semana, a Prefeitura de São Paulo vai conceder o terraço do Edifício Martinelli à iniciativa privada.

O objetivo é viabilizar a implantação e a manutenção do Observatório Martinelli, acompanhado de um programa de curadoria com espaços expositivos, painéis interativos e acervos relacionados à história do edifício e da cidade, e apresentações culturais. Também serão inaugurados loja, restaurante e um café para oferecer aos usuários desde refeições rápidas até um almoço/jantar mais completo e sofisticado.

Os visitantes também desfrutarão de um núcleo de recepção, com centro de informações turísticas. No atual serviço, as pessoas aguardam no próprio calçadão, visto que não existe uma área para esse fim, tampouco bilheteria. Quanto à acessibilidade, ao menos um novo elevador, exclusivo para visita, será ofertado à população. E, por fim, a visitação se tornará mais completa, afinal será possível conhecer os espaços cobertos existentes, incluindo o palacete do Comendador Martinelli.

Com todas essas novidades, a expectativa do Município é aumentar em 483% a quantidade de visitantes por ano no prédio, chegando a 160 mil visitas anuais.

Para definir junto à população o melhor formato de concessão, o Município publicou em 21 de janeiro uma consulta pública online. A ferramenta de participação estará disponível até 20 de fevereiro, e após esse período, a São Paulo Urbanismo vai analisar as sugestões, realizar eventuais aprimoramentos da documentação e publicar, finalmente, a licitação definitiva. 

Clique aqui para contribuir com o Edital de Concessão do Edifício Martinelli

 

Conheça a história do Edifício Martinelli

O Edifício Martinelli é um dos primeiros arranha-céus do Brasil e da América Latina. Localizado no centro de São Paulo, entre as ruas São Bento e Libero Badaró e a Av. São João, o prédio foi idealizado pelo comerciante italiano Giuseppe Martinelli e projetado pelo arquiteto húngaro Vilmos (William) Fillinger.

Sua construção foi iniciada em 1924 e se arrastou por dez anos, sendo parcialmente inaugurado em 1929, com apenas 12 andares. Devido à disputa pelo título de maior arranha-céu do Brasil com o Edifício “A Noite”, também em obras no Rio de Janeiro, o comerciante Martinelli foi acrescentando novos andares até se convencer de que havia vencido a disputa, alcançando 30 andares e 105 metros de altura. Mais de 600 operários e 90 artesãos trabalharam nas obras.

A obra gerou polêmica, visto que apesar de reverenciada como um símbolo do progresso econômico e tecnológico da mais nova metrópole, foi criticada por seu porte e contraste em relação ao tecido urbano baixo predominante na cidade. Além disso, houve desconfiança de parte da população por conta da segurança do empreendimento. Para se contrapor a isso, o Comendador Martinelli construiu um palacete na cobertura do edifício para abrigar a residência de sua própria família.

O rico e luxuoso edifício atraiu inquilinos ilustres, como o Hotel São Bento e o Cine Rosário, além de restaurantes, clubes, partidos políticos, veículos de imprensa e boates. A partir da década de 60, o empreendimento entrou em uma fase de degradação extrema, com precarização das habitações, ocupações por templos e prostíbulos, colapso dos elevadores, acúmulo de lixo nos poços e ocorrência de diversos crimes.

O edifício foi desapropriado e completamente remodelado entre 1975 e 1979 para abrigar órgãos municipais e lojas no piso térreo. Atualmente o edifício é sede das secretarias municipais de Desenvolvimento Urbano (SMDU), Licenciamento (SEL), Habitação (SEHAB) e Subprefeituras (SMSUB), da Companhia Metropolitana de Habitação (COHAB) e da São Paulo Urbanismo, proprietária de alguns andares do prédio, incluindo a cobertura. Atualmente, cerca 80% do prédio pertence à Prefeitura de São Paulo e o restante é privado.

A partir da década de 80, com a regulamentação pelos órgãos de preservação do patrimônio histórico (CONPRESP e CONDEPHAAT) das diretrizes de preservação de áreas envoltórias de imóveis e espaços públicos próximos, o Edifício Martinelli teve sua volumetria e fachadas tombadas.




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