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29/05/2019

Agricultura orgânica: de Parelheiros à Vila Olímpia

Conheça a história de Regiane, agricultora orgânica que integra uma rede que conecta produtores a consumidores. O alimento produzido no extremo sul da cidade, em área rural, percorre 50 km para chegar ao prato de um executivo da Vila Olímpia



Apesar de ter nascido em Osasco, Regiane Rita Bispo, 36, passou boa parte de sua vida na área urbana de Grajaú, na zona sul de São Paulo.

Há dois anos e meio, ela e sua mãe, Maria de Lourdes, tomaram uma decisão corajosa e resolverem se mudar para um sítio em Marsilac – distrito de Parelheiros –, situado a 52 km da Praça da Sé.

Toda essa distância não impediu que Regiane prosperasse. Junto com a sua mãe e o caseiro a que se refere carinhosamente como Biró, a agricultora produz diversos alimentos orgânicos, ou seja, sem agrotóxicos – tão prejudiciais à saúde.

Couve, almeirão, catalonha, escarola, abóbora, brócolis, beterraba, salsinha e cebolinha são algumas das hortaliças cultivadas por Regiane, em uma área de produção agrícola de 2,5 hectares.

Com a assistência técnica do Projeto Ligue os Pontos, Regiane pode aumentar sua produção. A agricultora disse que foi convencida pelos agrônomos contratados pelo projeto a utilizar a plasticultura, técnica que possibilita o crescimento adequado dos alimentos cultivados em detrimento aos indesejáveis, como ervas daninhas. O Ligue os Pontos também foi importante ao cuidar de seu solo:

“Eles (agrônomos) possuem muito conhecimento técnico e me ajudaram com a nutrição e a adubação mais adequada”, afirma Regiane.

Recentemente o trabalho de Regiane foi reconhecido internacionalmente. Em 8 de maio, a agricultora recebeu em seu sítio a visita de estudantes e professores da University of Minnesota Crookston, dos Estados Unidos. Saiba aqui como foi esse encontro.

A agricultora comercializa seus produtos através da Cooperapas (Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa da Região Sul de São Paulo), parceira da Prefeitura no fornecimento de alimentos orgânicos a rede municipal escolar.

Além do poder público, a cooperativa possui convênio com entes privados, como a empresa DuLocal. Trata-se de uma startup, ou seja, uma empresa jovem de modelo inovador, que compra alimentos orgânicos em Parelheiros, produz refeições veganas em Paraisópolis e entrega na região de Berrini.

Fundada em agosto de 2018 como um projeto-piloto em São Carlos, a empresa passou a atuar no município em março de 2019. Os produtos frescos, comprados de produtores orgânicos atendidos pelo projeto Ligue os Pontos, são levados para as cozinhas de moradoras da maior favela de São Paulo, que de acordo com uma das sócias da startup, Rafaela Larios Soldan, 30, receberam capacitação técnica e auxílio para adequarem seus espaços.

Por fim, a partir de um aplicativo de celular, a comida é pedida e entregue para clientes de um perímetro delimitado, que abrange trechos do Itaim Bibi, Vila Nova Conceição, Moema e Vila Olímpia. Atualmente, a DuLocal vende 40 pratos por dia, mas a meta é chegar a 100 nos próximos meses.

“A clientela não é prioritamente vegetariana. Muitas vezes são pessoas de outras startups, interessadas no consumo sustentável”, comenta Rafaela.

O alimento produzido no sítio da Regiane em Marsilac percorreu 50 km para chegar ao prato de um executivo da Vila Olímpia. Desse modo, mais uma vez, a distância não foi capaz de impossibilitar ações.

Neste sentido, o Projeto Ligue os Pontos da Prefeitura de São Paulo tem como principal objetivo conectar os produtores de alimentos da agricultura familiar na Zona Sul de São Paulo aos potenciais consumidores, evitando que essas áreas cultiváveis sejam tomadas pela urbanização informal e coloquem em risco o meio ambiente e a segurança hídrica da cidade.

Vencedor do concurso “Mayors Challenge 2016” (Desafio dos Prefeitos), promovido pela Bloomberg Philantropies para a América Latina e Caribe, o projeto, desde janeiro de 2019, está cadastrando unidades de produção dos distritos de Grajaú, Parelheiros e Marsilac  para identificar e conhecer melhor os agricultores da região.

O objetivo é constituir um banco de dados da zona rural paulistana – recriada pelo Plano Diretor Estratégico (PDE) de 2014 – a fim de viabilizar a implementação de políticas públicas que fortaleçam a agricultura, a geração de renda e a preservação ambiental do Município.




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