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25/02/2019

Conheça a vida de Ana Santos, agricultora atendida pelo projeto Ligue os Pontos

Com a assistência técnica, ela pôde plantar da maneira mais correta, corrigir o solo de seu terreno e até iniciar a construção de uma mini-estufa para melhorar sua produção



Trocar a profissão de cabeleireira pela vida de agricultora? Há seis anos essa decisão foi tomada por Ana Rita Freitas Santos, 50. Nascida no interior do Maranhão, numa cidade chamada Icatu, ela se mudou ainda jovem para o bairro do Bom Retiro, na região central de São Paulo, onde viveu por 14 anos. A próxima parada da maranhense foi a zona sul da Cidade, mais especificamente o distrito do Grajaú. Foram 15 anos no local.

Cansada da rotina de trabalho, Ana Santos decidiu radicalizar e ir morar em um sítio – ideia inicialmente refutada pelo marido, com quem tem um filho. Sem arredar o pé, ela convenceu o esposo Jaime e eles se mudaram para Parelheiros, extremo sul de São Paulo.

No local deram vida a um sítio de três hectares, onde metade está situada em Área de Preservação Permanente (APP). No início, apenas com o objetivo de alimentar sua família, Ana Santos e Jaime implantaram uma horta, que gerava os principais alimentos, como alface, brócolis e couve. Cabe ressaltar que, desde que começou a produzir, Ana sempre se utilizou do sistema orgânico, isto é, sem uso de agrotóxicos.

Com o tempo, a família vislumbrou a possibilidade de comercializar seus produtos. Para isso, Ana Santos entrou em contato com a Casa de Agricultura Ecológica de Parelheiros, onde conheceu a Cooperapas (Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa da Região Sul de São Paulo) – cooperativa fundada em 2011 que utiliza métodos orgânicos para produção. Ana se encantou pela cooperativa e há quatros anos é associada a ela.

Para contemplar toda demanda que surgiria, a agricultora ampliou sua área de produção para 1,3 hectares. Além de uma maior quantidade de alimentos, Ana pôde diversificar sua produção, passando a cultivar também arroz, batata, mandioquinha, acelga, escarola, entre outros.

Para dar destino a esses produtos, Ana Santos passou a participar da feira orgânica de Moema, o Feirão Orgânico Parati. Trata-se de uma feira 100% orgânica, que oferece uma grande variedade de legumes, verduras, frutas, queijos, sucos. Ana Santos trabalha no local as quartas e sábados, das 07h às 15h.

Em maio de 2018, a agricultora recebeu a visita da equipe do Ligue os Pontos, projeto coordenado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) e vencedor do concurso “Mayors Challenge 2016”, promovido pela Bloomberg Philantropies para a América Latina e Caribe. Seu principal objetivo é conectar os produtores de alimentos da agricultura familiar na Zona Sul de São Paulo aos potenciais consumidores, evitando que essas áreas cultiváveis sejam tomadas pela urbanização e coloquem em risco a segurança hídrica da cidade.

Como parte do Projeto, a Prefeitura abriu edital em janeiro de 2018 para selecionar dois agrônomos com experiência em Assistência Técnica e Extensão Rural para atuarem junto aos agricultores. Foram contratados, então, Tiago Tomaz e Mauro Kayano, que dentre outras funções, deveriam realizar visitas de assistência técnica às propriedades rurais; executar treinamentos de capacitação para incentivar a ampliação de oportunidades de geração de emprego e renda e de melhoria da qualidade de vida; orientar a aplicação das leis e elaborar projetos técnicos para investimento em propriedades agrícolas.

Tiago explica como funciona o atendimento. Segundo ele, o primeiro passo é conhecer o agricultor e explicar como se dará a assistência técnica. Com o consentimento dele, é realizado um diagnóstico socioprodutivo, onde são levantadas suas atividades, isto é, o que ele produz, como vende, quais são suas dificuldades e pontos positivos que podem ser melhor explorados. A partir da análise desse material, os agrônomos conseguem estabelecer um atendimento personalizado, pessoalmente e à distância, que atenda às necessidades de cada trabalhador.

Ana Santos foi umas das pessoas contempladas pelo Projeto. Em relação à sua propriedade, a avaliação dos consultores foi bastante positiva, sendo destacadas a boa capacidade de comercialização e a quantidade de mão de obra como adequada. Além da agricultora e seu marido, trabalham no local o filho João Marcos e o funcionário Willian Souza.

Uma grande gratidão ao Projeto e aos consultores é mostrada por Ana. Ela comentou que eles ajudam em diversas tarefas, por exemplo, a cultivar da maneira mais correta. Antes, a agricultora plantava de forma aleatória e não obtinha os melhores resultados. Tudo mudou com a orientação do Ligue os Pontos, onde foram passadas recomendações detalhadas de adubação de plantio das frutíferas e hortaliças.

Essa não foi a única assessoria prestada à agricultora. Ana disse que o solo de seu terreno estava degradado – com muito ferro -, o que prejudicava a produção. Dessa forma, os consultores estão ajudando a corrigir esta anomalia , com o uso de insumos orgânicos,  o que de antemão, já tornou o terreno melhor.

Para qualificar ainda mais a produção, os agrônomos sugeriram à Ana a implantação de uma tecnologia de cultivo protegido: uma mini-estufa de baixo custo. O objetivo dessa estrutura é absorver o calor proveniente do sol e mantê-lo condicionado em seu interior. Além de manter a temperatura interna controlada e controlar a umidade, ajuda a proteger as plantações de possíveis ameaças externas. No momento, a agricultora está finalizando sua construção e caso essa ação experimental prospere, Ana diz que não pensará duas vezes em expandi-la. 

Outra dificuldade apresentada pela agricultora e que o Projeto está ajudando a sanar é a obtenção do certificado de produção orgânica – exigido para a comercialização – e que lhe concederá selo de orgânico para seus alimentos. Ana comentou que os técnicos têm sido importantíssimos nesse processo, seja nas dicas, seja por cuidarem de toda a documentação junto ao IBD, uma das certificadoras existentes no Brasil. Agora, a agricultora aguarda ansiosamente a visita de um técnico do IBD para analisar sua produção e, enfim, conseguir o tão desejado certificado. 

 

Cadastro de Agricultores

Para promover histórias parecidas como a de Ana Santos, a Prefeitura de São Paulo, por meio do Projeto Ligue os Pontos, começou a cadastrar em 14 de janeiro unidades de produção agrícola na zona rural sul da Cidade (distritos de Grajaú, Parelheiros e Marsilac).

Ao identificar e conhecer melhor os agricultores da região, o objetivo é constituir um banco de dados da zona rural paulistana – recriada pelo Plano Diretor Estratégico (PDE) de 2014 – a fim de viabilizar a implementação de políticas públicas que fortaleçam a agricultura, a geração de renda e a preservação ambiental do Município.

Saiba mais aqui.

 

 

 




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Comentários

  1. Maria de Fátima Saharovsky em disse:

    ANA, parabéns pelo seu trabalho e seu comprometimento com a defesa ambiental do nosso território. Fico imensamente feliz com a sua evolução. Bjs